DISCURSO
Quanto amor Jesus demonstrou!
Há coisas na vida que doem muito. Por exemplo, ser rejeitado, ser tratado com desprezo, ser humilhado na frente dos outros ou sofrer quando você não fez nada de errado. Ninguém quer passar por isso. E, se pudéssemos evitar, com certeza evitaríamos. Por isso, quando pensamos no que Jesus esteve disposto a suportar, não conseguimos deixar de nos perguntar: o que o levou a aguentar tanto? A resposta é tão simples quanto profunda: o amor. Amor ao seu Pai e amor por nós.
Esse é o tema de hoje: “Quanto amor Jesus demonstrou!”. E, ao analisar Isaías 53, veremos três provas muito claras desse amor. Primeiro, Jesus estaria disposto a ser desprezado. Segundo, deixaria que o maltratassem sem resistir. E terceiro, por amor, estaria disposto a sofrer para fazer a vontade de Jeová e carregar os nossos pecados.
Vamos começar com o primeiro ponto. Isaías 53:3 disse com muita antecedência: “Ele foi desprezado e evitado pelos homens, homem feito para sofrer e familiarizado com a doença. Era como alguém de quem escondemos o rosto. Foi desprezado, e o consideramos como alguém sem valor.” Que descrição tão triste. O Messias não seria recebido com honra pela maioria. Não seria valorizado como merecia. Em vez disso, seria rejeitado, evitado e tratado como se não tivesse importância.
E foi exatamente isso o que aconteceu. É verdade que muitas pessoas ouviram Jesus com prazer e algumas chegaram a se tornar seus discípulos. Mas muitas outras o desprezaram. Criticaram-no, zombaram dele e o trataram como se não valesse nada. Pense em como isso deve ter sido doloroso. Jesus era perfeito. Nunca fez mal a ninguém. Sempre falou a verdade. Sempre agiu com amor. Curou doentes, consolou os tristes, alimentou os famintos e ensinou o melhor modo de vida. Mesmo assim, muitos o rejeitaram.
Isso nos ajuda a tirar uma lição muito prática. Ninguém gosta de ser rejeitado. Não importa a idade que a pessoa tenha. Todos queremos nos sentir aceitos. Um jovem pode sentir muita pressão para agradar os da sua idade. Um adulto também pode ser tentado a se adaptar ao que os outros esperam para não ficar mal ou para evitar críticas. Mas Jesus nos ensinou algo importante: fazer o que é certo nem sempre vai nos tornar populares. Ele mesmo sempre defendeu o que era certo e, mesmo assim, foi desprezado.
Isso exige coragem. E também amor. Porque Jesus sabia que, mesmo sendo rejeitado, precisava continuar. Ele não mudou sua mensagem para agradar os outros. Não diminuiu os padrões de Jeová para ser mais aceito. Não se deixou dominar pelo desejo de aprovação humana. Continuou fazendo o que era certo. Por quê? Porque amava seu Pai e amava a verdade.
Então, quando nós nos sentirmos incompreendidos, criticados ou até rejeitados por querer fazer o que é certo, lembremo-nos disso: Jesus já passou por isso. Ele sabe como é. E seu exemplo nos ensina que o amor a Jeová deve ser mais forte do que o medo da rejeição.
Agora vamos ao segundo ponto: Jesus deixaria que o maltratassem. Isaías 53:7 diz: “Foi oprimido e deixou que o maltratassem, mas não abria a boca. Foi levado como ovelha ao matadouro, como uma ovelha que fica calada diante dos seus tosquiadores, e ele não abria a boca.” Que profecia impressionante. Não só foi anunciado que o Messias sofreria, mas também a atitude que teria ao sofrer. Ele não reagiria com violência. Não se rebelaria. Não abriria a boca para impedir que a vontade de Deus se cumprisse.
E, mais uma vez, isso se cumpriu com exatidão. Na última noite de sua vida, Jesus foi preso, insultado, cuspido e espancado. Mateus 26:67, 68 diz: “Então lhe cuspiram no rosto e lhe deram socos. Outros lhe davam bofetadas e diziam: ‘Profetize para nós, Cristo. Quem bateu em você?’” Que cena tão cruel. Não o maltrataram apenas fisicamente; também zombaram dele. Humilharam-no. Trataram-no com desprezo e crueldade.
Agora pensemos em algo: Jesus não estava indefeso por não ter poder. Não era que ele não pudesse fazer nada. Ele mesmo disse que podia pedir ao seu Pai mais de doze legiões de anjos. Ou seja, se quisesse evitar esse sofrimento, tinha os meios. Mas não fez isso. Por quê? Porque, como ele mesmo explicou, como então se cumpririam as Escrituras? Jesus estava decidido a fazer a vontade de Jeová até o fim.
Isso torna sua atitude ainda mais impactante. Ele deixou que o maltratassem. Não porque fosse fraco, mas porque era forte da melhor maneira. Tinha autocontrole, lealdade e amor. Quando os principais sacerdotes e os anciãos o acusaram falsamente diante de Pilatos, Jesus não respondeu. Não quis dizer nada que interferisse no cumprimento do propósito de Deus. Como o Cordeiro de Deus, esteve disposto a ser levado ao sacrifício.
E aqui vale a pena parar por um momento. No mundo atual, muitas vezes se admira a reação rápida, a resposta dura, o orgulho ferido que revida golpe por golpe. Mas Jesus mostrou um tipo de força muito mais elevado: a força de quem sabe se controlar por amor a Jeová. Não respondeu com insultos. Não tentou se vingar. Não usou seu poder para se livrar do sofrimento. Ele suportou.
Isso nos ensina muito. Talvez nós nunca tenhamos de suportar algo tão extremo como o que Jesus viveu. Mas podemos enfrentar injustiças, críticas, palavras duras ou situações em que somos provocados. O que faremos então? Vamos responder na hora? Vamos nos deixar levar pela raiva? Ou vamos imitar Jesus e mostrar autocontrole? Claro, isso não significa ficar passivos diante de tudo sem usar o bom senso. Mas significa, sim, que não devemos reagir como o mundo. Jesus nos ensinou que o amor e a lealdade a Jeová valem mais do que o desejo de defender o próprio orgulho.
Chegamos agora ao terceiro ponto, e ele é o mais profundo de todos: por amor, Jesus esteve disposto a sofrer para fazer a vontade de Jeová e carregar os nossos pecados. Vamos ler a ideia central de Isaías 53:10-12. Ali se mostra que foi da vontade de Jeová que o Messias desse sua vida como oferta pela culpa, que levaria os erros de muitas pessoas, que derramaria sua vida até a morte e que, por meio dele, muitos seriam considerados justos.
Que verdade comovente. Jesus não sofreu simplesmente porque outros foram maus com ele. Seu sofrimento tinha um propósito. Ele estava dando sua vida como sacrifício. Estava carregando os nossos pecados. Estava tornando possível que pessoas imperfeitas, como nós, pudessem ter uma relação limpa com Jeová e uma esperança real de vida eterna.
E pensemos no amor que isso exigiu. Jesus sabia perfeitamente o que significava vir à Terra. Sabia o que sofreria. Sabia que seria desprezado, maltratado e finalmente executado. Mas, mesmo assim, veio. Não fez isso obrigado. Não fez isso de má vontade. Fez isso com amor.
João 14:31 nos deixa ver o coração de Jesus. Ali ele disse: “Para que o mundo saiba que eu amo o Pai, faço exatamente o que o Pai me mandou.” Que frase tão bonita. Jesus obedeceu a Jeová não por simples dever, mas por amor. Queria que o mundo soubesse que amava seu Pai. Sua obediência foi uma expressão de amor profundo, total e perfeito.
Mas ele não amou apenas seu Pai. Também nos amou. João 15:13 diz: “Ninguém tem maior amor do que este: dar a sua vida pelos seus amigos.” Jesus fez exatamente isso. Deu sua vida por seus amigos. E fez isso quando nós nem sequer podíamos fazer algo para merecer. Deixou sua posição celestial, viveu entre humanos imperfeitos, suportou oposição constante e, por fim, morreu de forma dolorosa, tudo para nos beneficiar.
Talvez aqui seja bom fazermos uma pergunta pessoal: será que eu realmente valorizo o que Jesus fez por mim? Porque é fácil conhecer esses textos há anos e, mesmo assim, correr o risco de nos acostumarmos com eles. Podemos ouvir falar do resgate muitas vezes e perder um pouco a capacidade de nos maravilhar. Mas, se meditarmos de verdade em Isaías 53, o coração se comove. Jesus foi desprezado por mim. Deixou que o maltratassem por mim. Carregou os pecados de muitos, e entre esses muitos estou eu.
Isso deveria ter efeito na nossa vida. Se Jesus demonstrou tanto amor, como deveríamos responder? Em primeiro lugar, com gratidão. Não uma gratidão só de palavras, mas uma gratidão que apareça na nossa obediência. Se Jesus fez exatamente o que o Pai lhe mandou por amor, nós também deveríamos querer fazer a vontade de Jeová com prazer.
Em segundo lugar, o amor de Jesus deveria nos mover a ser mais leais. Quando nos sentirmos cansados no serviço a Jeová, quando alguma prova parecer pesada ou quando a pressão ao nosso redor nos fizer duvidar, lembrar do exemplo de Jesus nos dá forças. Ele não desistiu. Não recuou. Não deixou de fazer a vontade de Jeová, por mais difícil que fosse. Seu amor foi firme até o fim.
E, em terceiro lugar, o amor de Jesus deveria nos impulsionar a tratar melhor os outros. Se ele foi capaz de responder com dignidade, paciência e compaixão mesmo em meio ao sofrimento, não deveríamos nós nos esforçar para ser mais bondosos, mais compreensivos e mais dispostos a perdoar? A pessoa que realmente valoriza o amor de Cristo não pode continuar tratando os outros com dureza ou egoísmo como se nada tivesse acontecido.
Assim, ao repassar esses três pontos, a conclusão é clara. Quanto amor Jesus demonstrou! Ele demonstrou isso ao estar disposto a ser desprezado. Demonstrou isso ao deixar que o maltratassem sem resistir. E demonstrou isso, acima de tudo, ao sofrer e morrer para fazer a vontade de Jeová e carregar os nossos pecados.
Portanto, quando pensarmos em Jesus, não o vejamos apenas como um grande mestre ou um personagem admirável do passado. Vejamo-lo como o que ele realmente é: alguém que nos amou de forma imensa e pessoal. Seu amor não foi superficial. Custou-lhe lágrimas, dor, humilhação e a própria vida. Mas ele fez isso com prazer, porque amava seu Pai e porque nos amava.
Que nunca percamos a capacidade de nos emocionar ao pensar nisso. E que, ao meditar em Isaías 53, cada um de nós sinta o desejo de responder de maneira digna. Como? Amando mais a Jeová, seguindo mais de perto o exemplo de Jesus e vivendo cada dia de um modo que demonstre que o sacrifício de Cristo não foi em vão. Sim, sem dúvida, ao olhar com atenção para o que ele suportou e por que suportou, só podemos dizer de coração: quanto amor Jesus demonstrou!





