Há coisas das quais uma pessoa pode se orgulhar: os seus estudos, a sua experiência, as suas habilidades, as suas conquistas, os seus bens ou até mesmo a imagem que projeta diante dos outros. E, sendo realistas, vivemos num mundo que empurra muito nessa direção. Valoriza-se quem se destaca, quem se exibe, quem recebe aprovação, quem consegue que outros o admirem.
Mas Jeová nos convida a fazer uma pergunta muito diferente: “Do que você vai se orgulhar?”. Não no sentido de sermos arrogantes, mas no sentido de o que nos faz sentir verdadeiramente orgulhosos, o que realmente valorizamos, o que queremos que os outros vejam em nós e, acima de tudo, a quem queremos dar honra.
O profeta Jeremias nos ajuda a corrigir o foco. Em apenas dois versículos, Jeová nos ensina do que não devemos nos orgulhar e do que podemos nos orgulhar com alegria. E, depois, o exemplo do apóstolo Paulo nos mostra como pôr isso em prática com humildade.
O primeiro ponto é este: não tentemos impressionar os outros com as nossas conquistas e habilidades.
Leiamos Jeremias 9:23: “É isto que Jeová diz: ‘Que o sábio não se orgulhe da sua sabedoria, que o poderoso não se orgulhe do seu poder e que o rico não se orgulhe das suas riquezas.’”
Jeová menciona três coisas que muitas pessoas admiram: a sabedoria, o poder e as riquezas. Em outras palavras, o conhecimento, a influência e os bens. Para o mundo, essas coisas costumam ser motivo de orgulho. Quem sabe muito quer que os outros percebam. Quem tem poder quer ser reconhecido. Quem tem riquezas às vezes sente a tentação de exibi-las.
Mas Jeová diz que o sábio não deve se orgulhar da sua sabedoria, o poderoso não deve se orgulhar do seu poder e o rico não deve se orgulhar das suas riquezas. Por quê? Porque nenhuma dessas coisas torna uma pessoa superior. Além disso, todas são temporárias. A inteligência pode falhar, o poder pode ser perdido e as riquezas podem desaparecer. Se uma pessoa constrói a sua identidade sobre essas coisas, está edificando sobre algo muito instável.
Esse aviso é muito atual. Hoje, muitas pessoas não se gabam apenas em conversas cara a cara. Também o fazem por meio das redes sociais. E nem sempre de forma evidente. Às vezes alguém se gaba com uma foto, com um comentário, com uma publicação cuidadosamente preparada ou com uma imagem que procura transmitir: “Veja como tudo vai bem para mim, veja o que eu tenho, veja onde estou, veja como a minha vida é interessante”.
As informações desta semana mencionam que, segundo certos estudos, quem passa muito tempo olhando comentários e fotografias nas redes sociais pode acabar se sentindo só e deprimido. Por que isso acontece? Porque muitas pessoas só postam as melhores imagens da sua vida: os seus melhores momentos, as suas melhores fotos, as suas melhores viagens, as suas refeições especiais, as suas amizades, as suas conquistas. E quem vê essas publicações pode pensar: “A minha vida não é tão empolgante. A minha vida é muito comum. Os outros se divertem mais do que eu”.
Menciona-se até o caso de uma irmã jovem, de 19 anos, que começou a se sentir frustrada ao ver que outros pareciam se divertir muito nos fins de semana enquanto ela ficava em casa entediada. Esse exemplo mostra que se gabar não alimenta apenas a vaidade de quem publica; também pode afetar emocionalmente quem observa.
É claro que as redes sociais podem ser usadas de forma boa. Podem nos ajudar a manter contato com familiares e amigos. Mas a pergunta é: o que aquilo que postamos diz a nosso respeito? Reflete humildade, modéstia e empatia? Ou transmite o desejo de chamar a atenção? As informações levantam perguntas muito boas: “Como são os comentários, as fotos e os vídeos que eu posto? Será que poderiam dar a impressão de que estou me gabando? Será que poderiam despertar a inveja dos outros?”.
Pensemos na série de fotos que é mencionada: uma irmã jovem pensando em postar uma selfie, uma foto posando com comida de restaurante, uma selfie de férias e uma foto ao lado de um carro de luxo. Nenhuma foto precisa ser ruim em si mesma. O ponto não é criar regras. O ponto é examinar a motivação. Por que eu quero postar isto? Para compartilhar algo bonito com pessoas próximas? Ou para impressionar? Para que me admirem? Para parecer mais importante do que sou?
As informações também citam a ideia de 1 João 2:16, onde se fala da “exibição ostensiva dos recursos que a pessoa tem”. Um comentário bíblico explica que essa expressão se refere a alguém que procura se tornar mais importante do que é. E esse espírito não combina com o cristão. Nós não precisamos viver em busca de admiração. Não precisamos competir com os outros nem despertar inveja.
Gálatas 5:26 nos adverte a não nos tornarmos egocêntricos, fomentando competições e invejas. Portanto, se formos humildes, não deixaremos que o espírito vaidoso deste mundo nos contagie. Não mediremos o nosso valor pelas curtidas, pelos comentários ou pela impressão que causamos. O nosso valor está no relacionamento que temos com Jeová.
Isso não significa que tenhamos de esconder tudo de bom que nos acontece ou que nunca possamos compartilhar uma alegria. A chave está na humildade e no amor. Uma pessoa humilde não vive preocupada em se exibir. E uma pessoa empática pensa em como aquilo que publica, que diz e que mostra pode afetar os outros.
Portanto, o primeiro ponto nos ajuda a perguntar: “Será que estou tentando impressionar os outros? Será que quero que os outros me admirem pelo que sei, pelo que tenho, pelo que faço ou pela minha aparência?”. Jeová nos convida a nos libertar dessa pressão. Não precisamos nos gabar de nós mesmos.
O segundo ponto nos mostra algo muito melhor: busquemos oportunidades de nos orgulhar de Jeová.
Leiamos Jeremias 9:24: “Mas, se alguém quiser se orgulhar, que se orgulhe disto: de ter discernimento e conhecimento de mim, de que eu sou Jeová, Aquele que mostra amor leal, justiça e retidão na terra, pois é nessas coisas que tenho prazer’, diz Jeová.”
Que contraste bonito. Jeová não diz simplesmente: “Não se orgulhe de nada”. Pelo contrário, ele nos diz qual é o melhor motivo para nos orgulharmos: conhecê-lo. Podemos nos sentir profundamente orgulhosos de ter Jeová como nosso Deus, de conhecer o seu nome, de entender a sua personalidade e de saber do que ele gosta.
Orgulhar-se de Jeová não significa ser arrogante. Significa falar dele com orgulho saudável, com gratidão e com amor. Significa não ter vergonha de nos identificar como servos dele. Significa nos alegrar de que Jeová seja um Deus de amor leal, justiça e retidão. Num mundo cheio de injustiça, egoísmo e confusão moral, nós conhecemos o Deus que sempre age com retidão e que ama o que é justo.
As informações expressam isso muito bem: temos orgulho do nome de Jeová. E Jeová adora que falemos com orgulho do seu nome e nos orgulhemos dele. Orgulhar-se de Jeová significa sentir orgulho de ter Jeová como Deus. Para nós, é um imenso privilégio honrar o seu nome e contribuir para limpar a sua reputação.
Esse ponto é muito importante porque o Diabo quer justamente o contrário. Ele quer que tenhamos vergonha de falar de Jeová. Quer que escondamos a nossa identidade cristã no trabalho, na escola, na nossa comunidade ou diante de pessoas que não compartilham a nossa fé. Quer que o nome de Jeová seja esquecido. As informações mencionam que o Diabo e os seus falsos profetas querem que as pessoas se esqueçam do nome de Jeová.
Mas nós amamos esse nome. Por isso queremos louvá-lo “o dia todo”. Não temos vergonha de dizer que somos Testemunhas de Jeová. É claro que fazemos isso com respeito, sem impor, sem arrogância. Mas também não escondemos quem somos.
Por exemplo, no trabalho pode surgir uma conversa sobre valores, honestidade ou decisões pessoais. Talvez seja uma oportunidade de dizer com naturalidade: “Eu procuro me guiar pelo que a Bíblia ensina” ou “como Testemunha de Jeová, isso é importante para mim”. Na escola, um jovem pode explicar com respeito por que não participa de certas práticas ou por que procura manter uma conduta limpa. Na comunidade, talvez os nossos vizinhos percebam que somos pessoas pacíficas, responsáveis e prestativas. Tudo isso pode abrir uma porta para falar bem de Jeová.
E não nos orgulhamos de Jeová apenas com palavras. Também o fazemos com a conduta. Quando somos honestos, demonstramos que Jeová ama a justiça. Quando tratamos os outros com bondade, refletimos o seu amor leal. Quando mantemos normas limpas, mostramos que valorizamos a sua retidão. Assim, a nossa vida pode dizer: “Tenho orgulho de servir a Jeová”.
Também é interessante que Jeremias 9:24 não diz apenas que conheçamos o nome de Jeová, mas que tenhamos “discernimento e conhecimento” dele. Não basta saber que Deus se chama Jeová. Queremos conhecer como ele é. Jeová mostra amor leal, justiça e retidão. E diz: “é nessas coisas que tenho prazer”. Portanto, se queremos nos orgulhar de Jeová, também devemos amar o que ele ama.
Isso nos protege da vaidade. Por quê? Porque, quanto mais conhecemos Jeová, menos sentimos necessidade de chamar a atenção para nós mesmos. A pessoa que está impressionada com Jeová não vive tentando impressionar os outros. A pessoa que valoriza a glória de Jeová não precisa fabricar uma imagem de si mesma. O seu maior orgulho é pertencer a Jeová.
O terceiro ponto nos apresenta um excelente exemplo: sigamos o exemplo de humildade do apóstolo Paulo.
Leiamos 1 Coríntios 2:1-5: “Assim, irmãos, quando fui até vocês, não fui anunciar-lhes o segredo sagrado de Deus com linguagem elevada ou com grande demonstração de sabedoria. Pois decidi não saber de nada entre vocês a não ser de Jesus Cristo, e dele pregado na estaca. E fui até vocês sentindo fraqueza, com temor e muito tremor. E o que eu falei e preguei não foi com palavras persuasivas de sabedoria, mas com demonstração de espírito e poder, para que a fé de vocês não estivesse baseada na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.”
Paulo tinha muitas capacidades. Era um homem instruído, conhecia muito bem as Escrituras, sabia raciocinar, tinha experiência e conseguia se comunicar com pessoas de diferentes culturas. No entanto, ele não quis que a fé dos seus ouvintes se apoiasse na sua habilidade pessoal. Não foi impressionar com “linguagem elevada” nem com “grande demonstração de sabedoria”. Decidiu se concentrar em Jesus Cristo.
As informações explicam que alguns se gabavam das suas aptidões pessoais, mas não tinham um bom coração. Para essas pessoas, a presença de Paulo parecia fraca e o seu modo de falar parecia desprezível. Mas Paulo não estava interessado em parecer brilhante. Ele não queria fazer alarde de sabedoria humana nem usar poder persuasivo para que as pessoas o admirassem. Queria que a fé dos irmãos fosse edificada com o poder do espírito de Deus e se baseasse em Cristo, não na sabedoria dos homens.
Que exemplo tão útil para nós. Às vezes, uma pessoa pode ter habilidades para falar, ensinar, organizar, cantar, dirigir, estudar ou resolver problemas. E essas habilidades podem ser muito úteis na congregação. Mas o perigo seria começar a pensar: “Como eu faço bem isso”, “como eu sou importante” ou “o que seria disto sem mim”. Paulo nos ensina a rejeitar esse pensamento.
Ele era colaborador de Deus. Não buscava que os outros se apoiassem nele, mas em Jeová. E isso nos ajuda a ver qualquer designação ou capacidade da maneira certa. Se fazemos um comentário, se apresentamos um discurso, se dirigimos uma reunião para a pregação, se ajudamos alguém espiritualmente, se temos responsabilidades na congregação, não queremos que os outros digam: “Como essa pessoa é impressionante”. Queremos que saiam pensando: “Como Jeová é bom. Como a sua Palavra é sábia. Como é amoroso o seu modo de nos guiar”.
As informações também mencionam que, não importa quanta sabedoria do mundo alguém pudesse ter — habilidade em ofícios, perspicácia no comércio, capacidade administrativa ou conhecimentos científicos ou filosóficos —, a regra era que quem achasse que era sábio neste sistema de coisas devia se tornar tolo para chegar a ser sábio. Ou seja, a verdadeira sabedoria começa quando a pessoa deixa de confiar demais em si mesma e aceita humildemente o modo de pensar de Jeová.
Paulo entendia isso. Por isso não se gabava da sua formação nem da sua capacidade. O seu maior desejo era que outros conhecessem Jeová e pusessem fé em Cristo. Nesse sentido, Paulo pôs em prática o que dizia Jeremias: se alguém se orgulha, que se orgulhe de Jeová.
Como podemos imitar Paulo? Primeiro, preparando bem as nossas designações, mas orando para que Jeová nos ajude e não buscando nos exibir. Segundo, usando as nossas habilidades para servir, não para competir. Terceiro, alegrando-nos quando outros também fazem bem as coisas. E quarto, lembrando que qualquer capacidade que tenhamos é um presente que deve ser usado para honrar a Jeová.
Pensemos na diferença entre duas atitudes. Uma pessoa orgulhosa usa as suas capacidades para atrair atenção para si mesma. Uma pessoa humilde usa as suas capacidades para dirigir a atenção para Jeová. Uma pessoa orgulhosa quer que os outros a admirem. Uma pessoa humilde quer que os outros se aproximem de Jeová. Paulo escolheu a segunda atitude, e esse é o exemplo que queremos seguir.
Então, voltemos à pergunta do tema: Do que você vai se orgulhar?
O mundo nos empurra a nos orgulhar de sabedoria, poder, riquezas, experiências, imagem, conquistas ou bens. Até as redes sociais podem se tornar uma vitrine para buscar admiração. Mas Jeová nos oferece um motivo muito mais nobre para sentir orgulho: conhecê-lo, levar o seu nome, falar do seu amor leal, da sua justiça e da sua retidão.
Por isso, não tentemos impressionar os outros com aquilo que somos ou temos. Pelo contrário, busquemos oportunidades de falar bem de Jeová. E, como Paulo, usemos qualquer capacidade que tenhamos com humildade, para que a fé dos outros não se apoie na sabedoria humana, mas no poder de Deus.
Se fizermos isso, estaremos livres da pressão de aparentar. Não precisaremos competir nem nos comparar. O nosso maior orgulho será dizer, com as nossas palavras e com a nossa conduta: “Jeová é o meu Deus, conheço o seu nome e quero honrá-lo”.
Que cada um de nós possa se orgulhar, não de si mesmo, mas de Jeová, porque conhecê-lo, servi-lo e levar o seu nome é a maior honra que podemos ter.





