Lição 4: Abraão, o primeiro homem a travar uma guerra justa
De que maneiras Abraão demonstrou coragem nesta etapa da sua vida?
Comentário 1:
Abraão demonstrou coragem quando decidiu ir resgatar Ló. Ele poderia ter pensado que o sobrinho tinha arranjado aquele problema ao escolher morar perto de Sodoma, mas não reagiu assim. O afeto e a lealdade foram mais fortes do que o medo do perigo.
Comentário 2:
Ele também foi corajoso porque enfrentou uma aliança de quatro reis poderosos. Abraão não era um soldado profissional, mas um homem que levava uma vida nômade e se dedicava principalmente ao pastoreio. Do ponto de vista humano, aquela operação parecia muito arriscada, mas ele confiou no apoio de Jeová.
Comentário 3:
Ele reuniu 318 homens treinados da sua casa e percorreu uma grande distância para perseguir os invasores. Não ficou paralisado pensando apenas em tudo o que poderia dar errado. Analisou a situação, agiu com decisão e usou bem os recursos que tinha disponíveis.
Comentário 4:
Sua estratégia durante o ataque também mostrou coragem e bom senso. Ele dividiu seus homens durante a noite, atacou o exército inimigo e, quando este fugiu, continuou a persegui-lo até recuperar Ló, sua família, os demais cativos e todos os seus bens.
Comentário 5:
Depois da vitória, Abraão não ficou com todo o mérito para si. Ele aceitou a bênção de Melquisedeque e lhe deu a décima parte do melhor. Assim demonstrou que sua coragem estava unida à humildade e que reconhecia que Jeová tinha sido quem lhe dera a vitória.
1. Como a arqueologia comprova a exatidão deste relato?
Comentário 1:
Durante muito tempo, alguns críticos duvidaram de que Elão tivesse sido poderoso o bastante para influenciar regiões tão distantes. No entanto, as descobertas arqueológicas mostraram que os elamitas se tornaram uma poderosa nação guerreira e exerceram influência sobre a Babilônia.
Comentário 2:
Também foram encontrados em inscrições antigas nomes de governantes elamitas que começam com “Kudur”, uma forma parecida com a primeira parte do nome Quedorlaomer. Além disso, uma importante divindade elamita se chamava Lagamar, o que tem semelhança com a segunda parte desse nome.
Comentário 3:
Também se conhecem inscrições babilônicas que contêm nomes parecidos com os de vários reis que aparecem em Gênesis 14. Por exemplo, Tudhula foi relacionado com Tidal, e Eri-aku com Arioque. Esses detalhes mostram que o relato se encaixa bem no contexto histórico da época.
Comentário 4:
Gênesis não descreve uma guerra de maneira vaga. Dá nomes de reis, povos, regiões, alianças e rotas. É interessante que descobertas posteriores tenham ajudado a entender melhor aquele mundo político e tenham mostrado que Elão podia exercer uma influência considerável além das suas próprias fronteiras.
Comentário 5:
Tudo isso fortalece a confiança na precisão histórica do relato. A Bíblia menciona detalhes que podiam parecer estranhos quando se sabia pouco sobre aquela época, mas o aumento do conhecimento arqueológico permitiu entender melhor o cenário que Gênesis 14 apresenta.
2. De acordo com a descrição da Bíblia, onde provavelmente ficavam Sodoma e Gomorra? Que provas há disso?
Comentário 1:
Em geral se considera que Sodoma e Gomorra ficavam perto da extremidade sul do mar Salgado, atualmente conhecido como mar Morto. Gênesis relaciona os reis dessas cidades com a baixada de Sidim, que mais tarde passou a ser identificada com o mar Salgado.
Comentário 2:
A Bíblia descreve a região onde Ló se estabeleceu como uma área muito bem irrigada. Isso se encaixa com a zona sudeste do mar Morto, onde até hoje existem áreas com vegetação e onde se podem cultivar produtos como trigo, cevada, tâmaras e uvas.
Comentário 3:
Outro detalhe interessante é a presença de betume. Gênesis 14 menciona os poços de piche, ou betume, do vale de Sidim, e é justamente na zona meridional do mar Morto que se encontram grandes quantidades de betume e de sal.
Comentário 4:
Isso nos ajuda a entender por que Ló ficou tão impressionado com a região. À primeira vista, ela oferecia excelentes condições para os seus rebanhos. No entanto, a prosperidade material de uma área não compensava o grave perigo espiritual que representava morar perto de Sodoma.
Comentário 5:
A combinação da descrição geográfica de Gênesis, da referência ao mar Salgado, da vegetação da sua costa sudeste e da presença de betume e sal faz com que essa zona se encaixe bem nos detalhes que o relato bíblico fornece.
3. Melquisedeque era sacerdote e rei de Salém. Onde ficava Salém?
Comentário 1:
As evidências bíblicas indicam que Salém era a antiga Jerusalém. O próprio nome “Salém” está contido em “Jerusalém”, e o seu significado está relacionado com a paz. Ali Melquisedeque servia ao mesmo tempo como rei e sacerdote do Deus Altíssimo.
Comentário 2:
Abraão encontrou-se com Melquisedeque e com o rei de Sodoma na chamada baixada do Rei. Séculos depois, Absalão erigiu um monumento numa área com esse mesmo nome perto de Jerusalém, o que apoia a identificação de Salém com essa cidade.
Comentário 3:
O Salmo 76 também relaciona Salém com Sião. Como Sião passou a fazer parte de Jerusalém, esse detalhe acrescenta outra razão bíblica para concluir que a cidade onde Melquisedeque reinava ficava no lugar que mais tarde seria Jerusalém.
Comentário 4:
É significativo que Melquisedeque fosse rei e sacerdote justamente ali. Com o tempo, Jerusalém tornou-se a cidade de onde governaram os reis da linhagem de Davi e onde funcionou o sacerdócio relacionado com o templo de Jeová.
Comentário 5:
Além disso, Jerusalém teria uma importância especial relacionada com Jesus. Ali ele ofereceu a sua vida em sacrifício, e Jesus viria a ser Rei e Sumo Sacerdote “à maneira de Melquisedeque”. Por isso, a localização de Salém se encaixa muito bem com o desdobramento posterior do propósito de Jeová.
4. Como Melquisedeque representou Jesus?
Comentário 1:
Melquisedeque reunia duas funções que normalmente eram separadas: era rei e também sacerdote do Deus Altíssimo. De maneira muito maior, Jesus Cristo também desempenha ambas as funções, pois Jeová o nomeou Rei e Sumo Sacerdote celestial.
Comentário 2:
Melquisedeque não recebeu o seu sacerdócio por pertencer à família de Arão. De modo parecido, Jesus não era da tribo sacerdotal de Levi, mas de Judá. O seu sacerdócio procede diretamente da nomeação de Jeová, assim como no modelo de Melquisedeque.
Comentário 3:
A Bíblia não registra a genealogia sacerdotal de Melquisedeque nem menciona um antecessor ou sucessor dele. Isso permitiu que ele servisse como uma representação apropriada do sacerdócio permanente de Jesus, que, depois de ressuscitar, recebeu uma vida indestrutível.
Comentário 4:
Abraão reconheceu a autoridade que Jeová havia concedido a Melquisedeque: recebeu a sua bênção e lhe deu a décima parte do despojo. Hebreus usa esse fato para mostrar a grandeza do sacerdócio que Melquisedeque representava e, por extensão, a superioridade do sacerdócio de Cristo.
Comentário 5:
Jesus cumpre de maneira perfeita o que Melquisedeque representou. Como Rei, pode governar com justiça, e como Sumo Sacerdote, pode ajudar os humanos a se achegarem a Jeová. Por isso a sua função combina autoridade, misericórdia e a capacidade de proporcionar salvação completa.
Abraão deixou que Ló ficasse com a melhor parte da terra. Como podemos imitar Abraão ao lidar com a nossa família, com os irmãos e com outras pessoas?
Comentário 1:
Podemos imitá-lo evitando insistir sempre nos nossos direitos. Abraão era mais velho e poderia ter escolhido primeiro, mas permitiu que Ló ficasse com a área que parecia melhor. Às vezes, manter a paz tem muito mais valor do que conseguir aquilo que preferimos pessoalmente.
Comentário 2:
Dentro da família podemos demonstrar essa atitude em coisas simples: abrir mão de uma preferência, escutar antes de decidir ou pensar no que beneficiará o outro. A generosidade de Abraão evitou uma briga e ajudou a preservar um bom relacionamento com Ló.
Comentário 3:
Na congregação podemos fazer algo parecido quando cedemos um assento, uma preferência ou certo conforto a alguém que precisa mais. Esses pequenos atos mostram que, para nós, as pessoas têm mais valor do que sempre conseguir a melhor opção.
Comentário 4:
Abraão podia ser generoso porque confiava em Jeová. Ele não achava que perder a melhor parte da terra significasse perder a bênção divina. Nós também podemos ser menos competitivos quando lembramos que a nossa felicidade não depende de levar vantagem sobre os outros.
Comentário 5:
O seu exemplo também nos ensina a buscar soluções que reduzam os conflitos. Se surge uma diferença com um irmão ou um familiar, perguntar a nós mesmos “Em que eu posso ceder?” pode ser muito mais útil do que nos concentrarmos apenas em provar que temos razão.
O que aprendemos do fato de Abraão estar disposto a arriscar tanto para resgatar o seu sobrinho?
Comentário 1:
Aprendemos que o amor verdadeiro se demonstra com ações. Abraão não se limitou a lamentar o que tinha acontecido a Ló. Quando soube que ele estava cativo, organizou imediatamente um resgate, ainda que isso significasse enfrentar inimigos muito mais poderosos.
Comentário 2:
Também aprendemos a não pensar: “Ele mesmo procurou isso”. Ló tinha decidido morar perto de Sodoma, mas Abraão não usou aquela má decisão como desculpa para abandoná-lo. Quando alguém que amamos precisa de ajuda, a compaixão pode nos levar a olhar além dos seus erros.
Comentário 3:
O seu exemplo mostra que a lealdade pode exigir sacrifícios. Ajudar um familiar ou um irmão talvez exija tempo, energia, dinheiro ou sair da nossa zona de conforto. O amor cristão está disposto a assumir um custo razoável pelo bem-estar dos outros.
Comentário 4:
Abraão não confundiu coragem com imprudência. Ele preparou homens treinados, contou com aliados e usou uma estratégia durante a noite. Portanto, ajudar alguém com coragem não significa agir por impulso, mas combinar o amor com bom senso e preparação.
Comentário 5:
Por fim, aprendemos que um relacionamento pode ser mais importante do que antigas diferenças. Abraão e Ló já tinham tido que se separar por causa de problemas entre os seus pastores, mas Abraão não guardou ressentimento. Quando Ló ficou em perigo, ele agiu como um verdadeiro amigo e familiar.
De que outras maneiras você pode copiar o exemplo de coragem de Abraão?
Comentário 1:
Posso copiá-lo tomando decisões baseadas na minha confiança em Jeová, e não apenas no que parece mais seguro do ponto de vista humano. Abraão viu uma situação muito perigosa, mas não permitiu que o medo o impedisse de fazer o que era certo.
Comentário 2:
Também posso me preparar para agir com coragem. Os seus 318 homens estavam treinados antes de surgir a emergência. Do mesmo modo, o estudo da Bíblia, a oração e uma boa rotina espiritual podem me preparar antes que apareça uma prova inesperada.
Comentário 3:
Posso imitar a sua humildade depois de conseguir bons resultados. Abraão não se apresentou como um grande herói militar, mas reconheceu o papel de Jeová. Quando uma designação me sai bem, quero evitar o orgulho e lembrar de onde vêm realmente as minhas capacidades e bênçãos.
Comentário 4:
Outra maneira é não deixar que o apego às comodidades determine as minhas decisões. Abraão poderia ter pensado em voltar um dia para Ur e evitar o confronto com o rei de Sinar, mas não permitiu que essa possibilidade condicionasse a sua lealdade a Jeová e a Ló.
Comentário 5:
Além disso, posso aprender a distinguir entre as guerras humanas e a nossa luta espiritual. Os cristãos não participam de guerras físicas, mas precisamos de coragem para resistir a tentações, defender a nossa fé e permanecer fiéis num mundo que se opõe aos princípios de Jeová.
O que este relato me ensina sobre Jeová?
Comentário 1:
Ensina-me que Jeová é capaz de dar forças aos seus servos para enfrentar situações que parecem impossíveis. Abraão tinha um grupo muito menor do que o exército inimigo, mas Jeová permitiu que ele conseguisse uma vitória completa e libertasse os cativos.
Comentário 2:
Jeová também valoriza profundamente a lealdade. Abraão se arriscou para resgatar Ló, e depois Melquisedeque o abençoou em nome de Deus. Isso demonstra que Jeová observa quando nos esforçamos para ajudar e proteger aqueles que amamos.
Comentário 3:
Aprendemos que Jeová pode proteger o seu propósito ainda que Satanás tente frustrá-lo. A família de Abraão tinha uma função especial dentro da promessa relacionada com o descendente. Nenhuma aliança de reis podia impedir que Deus levasse adiante o que havia decidido.
Comentário 4:
Também vemos que Jeová merece o mérito pelas bênçãos que recebemos. Melquisedeque reconheceu que o Deus Altíssimo tinha entregado os inimigos nas mãos de Abraão, e o patriarca respondeu humildemente dando-lhe a décima parte do despojo.
Comentário 5:
Jeová não apoia qualquer conflito humano. O relato diferencia uma guerra que estava relacionada com o seu propósito das guerras comuns dos homens. Mais tarde, Jesus ensinou os seus seguidores a não participar de guerras físicas, mas de uma luta espiritual.
Como este relato se relaciona com o propósito de Jeová e o tema principal da Bíblia?
Comentário 1:
Jeová tinha prometido tornar Abraão numa grande nação, e dessa nação sairia o descendente predito em Gênesis 3:15. Por isso, proteger Abraão e a sua família estava diretamente relacionado com o cumprimento de uma das promessas centrais da Bíblia.
Comentário 2:
Satanás tinha razões para tentar prejudicar a família de Abraão, pois sabia que daquela linhagem viria quem finalmente acabaria com o seu domínio. A vitória de Abraão mostra que a oposição de Satanás não pode deter o propósito de Jeová.
Comentário 3:
O aparecimento de Melquisedeque acrescenta outra conexão muito importante. Como rei e sacerdote, ele representou Jesus Cristo, que viria a ser o Rei-Sacerdote nomeado por Jeová. Assim, um acontecimento da vida de Abraão apontava para uma parte fundamental do Reino messiânico.
Comentário 4:
Com o tempo, Jeová deixou de usar a nação física de Israel como o seu povo especial e começou a abençoar uma nação espiritual sob Cristo. Isso mostra como o propósito divino continuou avançando até se centralizar no governo do Messias.
Comentário 5:
O relato também nos ajuda a entender a natureza da luta cristã atual. Jesus proibiu os seus discípulos de recorrer às armas, mas os preparou para uma guerra espiritual. Assim, a coragem de Abraão nos incentiva a sermos firmes numa luta diferente, mas também relacionada com a soberania de Jeová.
O que eu gostaria de perguntar a Abraão e a Ló quando eles forem ressuscitados?
Comentário 1:
A Abraão eu gostaria de perguntar o que ele sentiu quando recebeu a notícia de que Ló tinha sido capturado. Seria interessante saber se ele teve medo ao pensar naqueles quatro reis e que pensamentos sobre Jeová lhe deram a coragem de agir imediatamente.
Comentário 2:
Também lhe perguntaria como ele preparou a operação de resgate. Gênesis menciona os 318 homens treinados e o ataque noturno, mas com certeza houve muito planejamento. Conhecer esses detalhes nos ajudaria a entender melhor a combinação de fé, prudência e coragem que ele demonstrou.
Comentário 3:
A Ló eu perguntaria como ele se sentiu ao ver o tio aparecer depois de ter sido levado cativo. Talvez aquela experiência o tenha feito valorizar de uma nova maneira o afeto de Abraão e perceber os perigos que tinha representado escolher morar tão perto de Sodoma.
Comentário 4:
Eu gostaria de perguntar a eles como foi a conversa deles depois do resgate. Abraão poderia ter censurado Ló pela escolha anterior, mas o relato não destaca nenhuma atitude desse tipo. Seria bonito saber como aquela experiência afetou o relacionamento familiar deles.
Comentário 5:
E a Abraão eu perguntaria o que ele sentiu quando Melquisedeque saiu para recebê-lo e o abençoou. Depois do perigo e do esforço, ouvir que Jeová reconhecia a vitória deve ter confirmado ainda mais a sua confiança de que Deus sempre cumpriria todas as suas promessas.
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