Capítulo 15: Permaneceram juntas em tempos difíceis
De que maneiras Noemi e Rute demonstraram coragem?
Comentário 1: Noemi demonstrou coragem ao decidir voltar a Belém depois de perder o marido e os dois filhos. Ela era uma mulher idosa, e a viagem levaria aproximadamente uma semana. Mesmo assim, estava disposta a fazê-la sozinha. Além disso, pensou no bem-estar das noras e não quis privá-las da possibilidade de formar outra família. Sua coragem era acompanhada de generosidade: embora precisasse muito de apoio, não colocou suas próprias necessidades acima das delas.
Comentário 2: Rute foi corajosa porque sua decisão de acompanhar Noemi envolvia muito mais do que uma mudança de residência. Ela deixou sua terra, sua família e os deuses moabitas para adorar somente a Jeová. Iria viver com um povo que não conhecia e sem ter o futuro garantido. Mesmo assim, decidiu permanecer ao lado da sogra. Isso nos ensina que a coragem pode ser demonstrada por uma decisão firme de fazer o que é certo, mesmo quando ainda não sabemos como as dificuldades serão resolvidas.
Comentário 3: Rute também mostrou coragem ao agir de acordo com os conselhos de Noemi sobre o resgate. Talvez aquele costume lhe parecesse estranho e intimidante, mas ela se aproximou de Boaz com humildade e fez seu pedido. Não se limitou a desejar que a situação melhorasse: deu os passos que estavam ao seu alcance, respeitando a Lei de Deus. Seu exemplo nos lembra que ser corajoso não significa necessariamente sentir-se tranquilo, mas fazer o que é certo mesmo quando uma situação nos impõe respeito.
1. Por que podemos dizer que a respiga feita em Israel era algo único no antigo Oriente Médio? (ia 39 par. 23, nota)
Comentário 1: Uma característica especial da respiga em Israel era que ela fazia parte da Lei que Jeová tinha dado ao seu povo. Não era simplesmente uma ajuda ocasional que alguém decidia oferecer. Durante a colheita, os pobres podiam entrar nos campos e recolher o que os ceifeiros deixavam para trás. Assim, a preocupação com os necessitados estava incorporada à vida do povo. No caso de Rute e Noemi, essa provisão lhes ofereceu uma maneira concreta de conseguir alimento.
Comentário 2: A provisão incluía detalhes práticos: os pobres podiam recolher o que sobrava depois da ceifa e também o que crescia nas beiradas e nos cantos dos campos. Jeová não se limitou a pedir que seu povo sentisse compaixão; ele estabeleceu uma maneira de atender a essa necessidade. Para alguém como Rute, que precisava alimentar-se e cuidar de Noemi, esses detalhes faziam uma diferença real. Isso nos ajuda a valorizar como eram atenciosas as medidas da Lei.
Comentário 3: A respiga combinava ajuda aos necessitados com a oportunidade de trabalhar para obter sustento. Rute pôde aproveitar essa medida e esforçar-se para cuidar das duas. Ela não tinha um campo próprio, mas isso não a impedia de participar da colheita de alimento. Acho muito bonita essa demonstração de consideração: Jeová havia providenciado uma ajuda que atendia a uma necessidade básica e, ao mesmo tempo, permitia que uma pessoa trabalhadora contribuísse para o sustento da família.
2. Como sabemos que Rute não se aproximou de Boaz com motivos impróprios? (ia 47 pars. 17, 18)
Rute 3:9 — Ele perguntou: “Quem é você?” Ela respondeu: “Sou Rute, sua serva. Estenda o seu manto sobre a sua serva, pois o senhor é resgatador.”
Comentário 1: Rute explicou claramente o motivo de seu pedido: Boaz era um resgatador. Portanto, ela não estava procurando uma relação imprópria, mas agindo dentro de uma provisão relacionada à Lei de Deus. Além disso, havia seguido as instruções de Noemi. Quando levamos esse contexto em conta, entendemos melhor o que ela fez. Seu pedido tinha a ver com casamento e com a proteção da família, não com uma insinuação imoral. Suas palavras ajudam a entender o objetivo daquela visita.
Comentário 2: Devemos lembrar que Rute estava seguindo costumes de sua época, alguns dos quais hoje não são completamente compreendidos. Por isso, seria injusto interpretar o que aconteceu segundo os baixos padrões morais atuais. O razoável é levar em conta o contexto e a explicação dada pelo próprio relato. Essa é uma boa lição para nós: antes de julgar a conduta de alguém, é bom conhecer os fatos e evitar atribuir-lhe motivos que não temos razão para considerar verdadeiros.
Rute 3:10 — Então ele disse: “Que Jeová a abençoe, minha filha. Você demonstrou mais amor leal desta vez do que da primeira vez, pois você não foi atrás de jovens, quer pobres quer ricos.
Comentário 3: A reação de Boaz é uma prova importante. Ele não considerou a conduta de Rute indecente, mas uma expressão de amor leal que merecia elogio. Reconheceu que ela poderia ter procurado um marido jovem, mas estava pensando em fazer o bem à família de Noemi. Assim, para entender seus motivos, a avaliação de Boaz tem muito peso, pois ele conhecia os costumes e estava diretamente envolvido. Sua resposta foi respeitosa e tranquilizadora, não de desaprovação.
3. Por que é significativo que Boaz tenha chamado Rute de “minha filha”? (Rute 2:8; w16.11 3)
Rute 2:8 — Então Boaz disse a Rute: “Escute, minha filha. Não vá respigar em outro campo, nem vá para nenhum outro lugar. Fique perto das minhas servas.
Comentário 1: A maneira como Boaz se dirigiu a Rute transmitia mais do que boa educação. Era uma expressão de bondade e ternura. Rute era estrangeira e estava respigando nos campos de alguém que não conhecia, por isso tinha motivos para se sentir insegura. Boaz não a tratou com frieza nem como se fosse um incômodo. Desde o início, suas palavras mostraram consideração. Isso podia ajudá-la a perceber que estava diante de alguém que desejava tratá-la bem e protegê-la.
Comentário 2: As palavras carinhosas de Boaz foram acompanhadas de medidas concretas. Ele incentivou Rute a continuar trabalhando em seus campos e ordenou aos trabalhadores que não a incomodassem. Portanto, seu tratamento bondoso não era apenas uma fórmula de cortesia. Ele estava interessado na segurança dela e em que pudesse conseguir alimento. Isso nos ensina que, quando queremos tranquilizar alguém, nossas palavras são muito mais convincentes quando acompanhadas de ações que demonstram interesse sincero pelo bem-estar da pessoa.
Comentário 3: Também é significativo que Boaz não tenha concentrado a atenção no fato de Rute ser moabita. Ele havia sido informado de tudo o que ela fizera por Noemi e valorizava que tivesse buscado refúgio em Jeová. Sua maneira de falar com ela estava de acordo com esse apreço. Nós podemos aprender a olhar além da origem ou da situação econômica de alguém. Quando reconhecemos suas boas qualidades e seus esforços para servir a Jeová, fica mais fácil tratá-lo com verdadeiro carinho.
4. Diferentemente de Fulano, como Boaz demonstrou generosidade ao aceitar casar-se com Rute? (w23.03 14)
Comentário 1: A principal diferença estava no que cada um colocou em primeiro lugar. Fulano estava disposto a comprar as terras enquanto o acordo parecia favorecer sua herança. Mas, ao saber que também envolvia casar-se com Rute, desistiu. Boaz, por outro lado, aceitou a responsabilidade de ajudar a família. Não avaliou o assunto apenas pelo benefício material que poderia obter. Sua generosidade ficou evidente porque estava disposto a assumir obrigações para proteger os interesses de outras pessoas.
Rute 4:10 — E assim adquiro como esposa Rute, a moabita, que era esposa de Malom, a fim de restaurar o nome do falecido sobre a sua herança e para que o nome dele não seja eliminado dentre os seus irmãos e do portão da sua cidade. Vocês são hoje testemunhas.”
Comentário 2: Boaz explicou que queria contribuir para que o nome do falecido permanecesse ligado à sua herança. Ou seja, não estava tentando aproveitar-se da situação para engrandecer o próprio nome. Estava disposto a agir em benefício de uma família que havia sofrido grandes perdas. Isso torna mais claro o contraste com Fulano, que estava preocupado em prejudicar sua própria herança. Boaz pensou no que poderia preservar para outros, e não apenas no que poderia conservar para si mesmo.
Comentário 3: A generosidade de Boaz tinha um custo real. Aceitar o resgate não significava apenas adquirir um terreno; também envolvia assumir responsabilidades para com Rute e Noemi. Além disso, o filho que nascesse de Rute herdaria as terras de Elimeleque. Portanto, não era uma decisão voltada para aumentar seu patrimônio. Boaz estava disposto a usar recursos em benefício daquela família. Seu exemplo nos convida a pensar se nossa disposição de ajudar continua quando exige tempo, dinheiro ou compromissos pessoais.
Rute era trabalhadora e grata. Como o exemplo dela pode nos ajudar quando passamos por dificuldades financeiras?
Comentário 1: Rute não ficou esperando que alguém resolvesse todos os seus problemas. Ela aproveitou a provisão da respiga e trabalhou com empenho para conseguir alimento para si mesma e para Noemi. Seu exemplo nos incentiva a fazer o que estiver ao nosso alcance quando enfrentamos dificuldades financeiras. Talvez o trabalho disponível não seja o que preferiríamos, mas podemos valorizar uma oportunidade honesta de atender às nossas necessidades. Confiar em Jeová não exclui o esforço pessoal; Rute buscou refúgio nele e também agiu.
Comentário 2: Rute reconheceu a bondade demonstrada por Boaz. Embora trabalhasse muito, não considerou que a ajuda dele fosse algo que não merecesse gratidão. Quando passamos por dificuldades, também podemos nos esforçar e, ao mesmo tempo, aceitar com gratidão o apoio que recebemos. As imagens do capítulo mostram justamente uma mãe que trabalha e agradece a ajuda de alguns irmãos. Receber alimento ou outras coisas necessárias não diminui o valor de nossos esforços para cuidar da família.
Comentário 3: Acho interessante que Rute trabalhasse pensando também em Noemi. As dificuldades financeiras podem absorver tanto nossa atenção que talvez tenhamos dificuldade de perceber as necessidades dos que estão perto. Ela não perdeu o interesse pela sogra. Podemos imitá-la, procurando não deixar que a preocupação com as contas apague o carinho no lar. Talvez não possamos resolver tudo imediatamente, mas podemos colaborar, agradecer os esforços dos outros e tratar uns aos outros com consideração enquanto procuramos maneiras de conseguir o necessário.
Quando Noemi se sentiu arrasada, Rute esteve ao lado dela para ajudá-la e encorajá-la. Por sua vez, Noemi foi humilde e aceitou a ajuda. O que aprendemos com cada uma delas?
Comentário 1: De Rute aprendemos que acompanhar alguém que está sofrendo exige mais do que uma expressão de carinho num momento específico. Ela permaneceu ao lado de Noemi, viajou com ela e trabalhou para que as duas tivessem alimento. Seu apoio foi constante e prático. Se um irmão está de luto, podemos perguntar-nos do que ele precisa agora e como poderíamos continuar ajudando-o depois. Talvez não encontremos palavras que aliviem toda a sua dor, mas nossa presença e nossas ações podem mostrar que ele não está sozinho.
Comentário 2: Noemi nos ensina a aceitar ajuda com humildade. Embora fosse mais velha que Rute, permitiu que a nora a acompanhasse e trabalhasse para sustentar as duas. Às vezes é mais fácil ajudar do que deixar que nos ajudem, talvez porque não queremos ser um peso. Mas aceitar apoio não significa que perdemos nosso valor ou que nos falta fé. Pode ser uma maneira de reconhecer nossas necessidades e permitir que os que nos amam expressem seu amor de forma prática.
Comentário 3: Também aprendemos a não reagir precipitadamente às palavras de alguém que está muito magoado. Noemi disse que havia ficado sem nada, embora Rute estivesse ali e tivesse feito muito por ela. O capítulo indica que essas palavras talvez tenham ferido Rute, mas não diz que ela ficou zangada. Ela continuou ajudando Noemi. Isso me lembra que uma pessoa aflita talvez não expresse bem o que sente. Em vez de nos concentrarmos imediatamente em como suas palavras nos afetam, podemos tentar compreender a dor por trás delas.
De que outras maneiras você pode imitar o exemplo de coragem de Noemi e Rute?
Comentário 1: Posso imitar Rute colocando a adoração a Jeová acima de costumes que não estão de acordo com o que ele deseja. Ela deixou os deuses de Moabe e decidiu servir somente a Jeová. Para nós, agir assim também pode exigir coragem, especialmente se nossos familiares não entenderem a decisão. Seu exemplo me incentiva a ser firme sem deixar de ser respeitoso. O importante não é conservar todos os costumes de nosso ambiente, mas demonstrar por nossas decisões a quem queremos adorar.
Comentário 2: Noemi me ensina a pensar no bem-estar de outros mesmo quando eu também estou passando por dificuldades. Ela não tentou prender as noras para garantir companhia e ajuda. Esteve disposta a seguir sozinha se isso fosse melhor para elas. Posso imitar essa coragem evitando pressionar as pessoas que me amam para que sempre façam o que é conveniente para mim. O amor leal não consiste em controlar outros, mas em interessar-se sinceramente pelo bem-estar deles.
Comentário 3: Rute me incentiva a aceitar bons conselhos mesmo quando colocá-los em prática parece intimidante. Ela escutou Noemi e agiu de acordo com uma provisão da Lei de Deus. Eu também talvez precise de coragem para dar um passo correto que me custe. Seu exemplo me lembra que sentir nervosismo não precisa impedir-me de fazer o que sei ser certo.
O que esse relato me ensina sobre Jeová?
Comentário 1: Ensina-me que Jeová se interessa pelas pessoas que ficaram numa situação vulnerável. A respiga permitia que os pobres obtivessem alimento, e a provisão relacionada ao casamento de cunhado protegia a família do falecido. Essas medidas não eram detalhes sem importância. Para pessoas como Noemi e Rute, podiam significar sustento e proteção. Ao ver como a Lei atendia a necessidades tão concretas, entendemos melhor que a compaixão de Jeová não é distante: ele leva em conta as dificuldades reais das pessoas.
Comentário 2: Jeová não deixou de demonstrar amor leal a Noemi porque ela estava profundamente desanimada. Ela chegou a dizer que ele havia enchido sua vida de amargura. No entanto, mais tarde reconheceu seu amor leal ao saber da ajuda de Boaz. Isso me ensina a não considerar os sentimentos de um momento doloroso como uma descrição completa de minha relação com Jeová. Quando sofremos, talvez seja difícil perceber o apoio que temos. O relato nos incentiva a continuar buscando refúgio nele.
Comentário 3: Também aprendo que Jeová valoriza os que decidem servi-lo, não importa sua origem. Rute era moabita, mas abandonou seus antigos deuses e buscou a proteção de Jeová. Ele a recompensou generosamente, e ela chegou a fazer parte da linhagem de antepassados do Messias. Sua história mostra que sua origem não a impediu de receber grandes bênçãos. Isso nos incentiva a valorizar as pessoas por sua fé e conduta, e não permitir que preconceitos influenciem nosso tratamento delas.
Como esse relato se relaciona com o propósito de Jeová e com o tema principal da Bíblia?
Mateus 1:5-6 — Salmom tornou-se pai de Boaz por meio de Raabe; Boaz tornou-se pai de Obede por meio de Rute; Obede tornou-se pai de Jessé; Jessé tornou-se pai de Davi, o rei. Davi tornou-se pai de Salomão por meio da esposa de Urias;
Comentário 1: A genealogia mostra uma ligação muito concreta: Rute e Boaz foram pais de Obede, e Obede tornou-se avô do rei Davi. O capítulo explica que, séculos depois, dessa linhagem familiar nasceu o Messias. Portanto, esse relato não é apenas a história comovente de duas mulheres que ajudaram uma à outra. Ele também faz parte do desenvolvimento do propósito de Jeová relacionado ao Messias. O que aconteceu naquela família teve uma importância muito maior do que suas circunstâncias imediatas.
Comentário 2: A relação com o tema principal da Bíblia fica evidente porque o relato nos conduz ao Messias e, portanto, ao propósito de Jeová relacionado ao seu Reino. A genealogia não apresenta Rute como uma personagem isolada, mas como parte dessa história. Ao estudar suas decisões, podemos apreciar tanto as lições pessoais como esse contexto mais amplo. Jeová estava desenvolvendo seu propósito, e essa família ocupou um lugar na linhagem que conduziu ao Messias.
Comentário 3: Fico impressionado com o contraste entre o começo e o fim do relato. Noemi havia perdido o marido e os filhos e já não esperava ter netos. Depois, pôde amar e cuidar de Obede, que se tornaria antepassado do Messias. Nem ela nem Rute podiam ver tudo o que isso significaria. Isso me lembra que nós também não vemos o alcance completo dos acontecimentos. Podemos concentrar-nos em ser leais a Jeová, como elas foram, sem tentar conhecer de antemão todos os resultados.
O que eu gostaria de perguntar a Noemi e Rute quando forem ressuscitadas?
Comentário 1: Eu gostaria de perguntar a Noemi como sua maneira de ver o futuro foi mudando desde que voltou a Belém até o nascimento de Obede. O relato nos permite conhecer algumas de suas expressões de dor e depois sua alegria, mas seria muito bonito ouvi-la contar esse processo. Também perguntaria o que significou para ela ter Rute ao seu lado naqueles dias. Acho que ouvir sua experiência me ajudaria a entender melhor o valor de acompanhar com paciência alguém que está sofrendo.
Comentário 2: Eu perguntaria a Rute o que ela foi aprendendo sobre Jeová antes de decidir adorá-lo somente. O capítulo conta sua decisão firme, mas eu gostaria de saber mais sobre como chegou a tomá-la. Também perguntaria o que a ajudou a manter-se decidida quando deixou sua terra e começou uma vida nova em Belém. Eu não gostaria de presumir suas respostas; seria emocionante ouvi-la contar como viveu essas mudanças e o que significou encontrar refúgio entre o povo de Jeová.
Comentário 3: Eu perguntaria às duas o que sentiram ao saber que sua família fazia parte da linhagem de antepassados do Messias. Elas se concentraram em enfrentar as necessidades de cada dia e em permanecer leais. Eu gostaria de ouvir como veem sua história ao conhecer esse resultado tão importante. Pensar nessa conversa torna a esperança da ressurreição mais pessoal para mim.
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