Tema: Dois bastões que se tornariam um só
Unir dois objetos pode ser simples. Unir pessoas que ficaram separadas por muito tempo é algo bem diferente. Não basta reuni-las no mesmo lugar; é preciso que tenham um objetivo em comum e aprendam a trabalhar juntas. Jeová usou dois bastões para mostrar que podia fazer exatamente isso com seu povo. Essa imagem nos ajuda a valorizar a união que temos e a pensar em como podemos fortalecê-la.
Para entender o significado daquela imagem, pensemos primeiro no que cada bastão representava. Não eram simplesmente dois objetos com nomes diferentes. Representavam dois reinos que tinham feito parte do povo de Deus, mas que estavam divididos. Jeová pediu que Ezequiel fizesse algo muito fácil de observar e de lembrar. Vejamos como ele lhe explicou isso em Ezequiel 37:15-17.
Ezequiel 37:15-17 — Recebi novamente a palavra de Jeová: “Filho do homem, pegue um bastão e escreva nele: ‘Para Judá e para os do povo de Israel que estão com ele.’ Depois pegue outro bastão e escreva nele: ‘Para José — bastão de Efraim — e para todos os da casa de Israel que estão com ele.’ Então junte os dois bastões para que se tornem um só na sua mão.
O bastão que representava Judá correspondia ao reino de duas tribos: Judá e Benjamim. Seus reis eram descendentes de Davi. Além disso, esse reino estava intimamente relacionado com o sacerdócio, pois os sacerdotes da tribo de Levi serviam no templo em Jerusalém. Portanto, ao pensar nesse bastão, devemos ter em mente tanto os reis da família de Davi como o serviço dos sacerdotes.
O outro bastão representava o reino de Israel, formado por dez tribos. Por que ele era relacionado com Efraim? Porque Jeroboão, o primeiro rei desse reino, pertencia a essa tribo, e com o tempo Efraim se tornou a tribo mais influente de Israel. Diferentemente do reino de Judá, esse reino não incluía nem reis da família de Davi nem sacerdotes da tribo de Levi.
Agora entendemos melhor a força da ilustração. Ezequiel devia juntar os bastões na sua mão. A separação não duraria para sempre. Jeová estava anunciando que os que tinham pertencido a dois reinos chegariam a estar unidos. Mas juntar dois bastões era uma coisa; reunir um povo espalhado era algo bem diferente. Quem conseguiria fazer isso? A explicação que Jeová deu em seguida responde a essa pergunta.
A união prometida não dependeria apenas da vontade ou da capacidade dos exilados. O próprio Jeová cuidaria para que ela fosse possível. Prestemos atenção em quem realiza a ação e em que mão os bastões ficariam unidos. Vejamos Ezequiel 37:19.
Ezequiel 37:19 — responda-lhes: ‘Assim diz o Soberano Senhor Jeová: “Vou pegar o bastão de José — que está na mão de Efraim — e as tribos de Israel que estão com ele, e vou juntá-lo ao bastão de Judá. E farei deles um só bastão; eles se tornarão um só na minha mão.”’
Na ilustração, os bastões estavam na mão de Ezequiel. Na explicação, Jeová indicou que eles estariam unidos na sua própria mão. Esse detalhe chama a atenção para o verdadeiro responsável pela reunificação. De um ponto de vista humano, libertar os judeus exilados e reuni-los novamente parecia totalmente impossível. No entanto, Jeová não estava expressando um desejo. Ele estava anunciando o que faria, e cumpriu sua palavra.
O exílio em Babilônia terminou no ano 537 antes de nossa era. Mais tarde, judeus dos dois reinos chegaram a Jerusalém para ajudar a restaurar a adoração pura. Entre os que se estabeleceram ali havia descendentes de Judá, Benjamim, Efraim e Manassés. Portanto, não se tratou apenas do retorno de um grupo isolado. Membros dos dois antigos reinos voltaram a se encontrar, dessa vez para participar juntos na adoração a Jeová.
Além disso, Jeová reuniu israelitas que estavam em várias nações, não apenas em Babilônia. Na explicação da profecia, ele não os apresentou mais como dois grupos separados, Judá e Efraim, mas como um só povo, os filhos de Israel. A origem de cada um não precisava continuar sendo uma barreira. O importante era que todos pertenciam a Jeová e podiam colaborar na restauração da adoração pura.
Jeová também lhes deu ajuda para continuarem unidos. Ele lhes deu pastores espirituais, como Zorobabel, Jesua, Esdras e Neemias, e profetas que os incentivaram a obedecê-lo. Além disso, protegeu-os contra planos inimigos. Ele não apenas os reuniu; deu-lhes o necessário para trabalharem juntos. Esse modo de Jeová cuidar de seu povo nos prepara para entender a união que ele tornou possível em nossos dias.
A profecia também nos ajuda a entender a relação entre os ungidos e as outras ovelhas. Antes de considerar como eles colaboram, vejamos o que Jesus disse sobre suas ovelhas e sobre a união que existiria entre elas. Leiamos João 10:16.
João 10:16 — “E tenho outras ovelhas, que não são desse aprisco; a essas também tenho de trazer, e elas escutarão a minha voz e se tornarão um só rebanho, com um só pastor.
Jesus não descreveu dois grupos que continuariam seguindo caminhos independentes. Embora tenha falado de outras ovelhas que não pertenciam ao mesmo aprisco, ele explicou que todas escutariam sua voz e estariam sob seus cuidados. Isso apoia a ideia central da profecia: Jeová une seus servos. Os ungidos, que têm a esperança de viver no céu, são como o bastão que representava Judá, a tribo da qual eram escolhidos os reis.
Por sua vez, os que esperam viver na Terra são como o bastão de Efraim. Jeová uniu os dois grupos para que servissem sob seu único Rei, Cristo Jesus. Suas diferentes esperanças não os transformam em comunidades separadas. Todos os anos, eles assistem à Comemoração como membros do mesmo rebanho, sob os cuidados do mesmo Pastor. Eles adoram a Jeová e trabalham em união.
Essa união merece mais do que nossa admiração. Ela merece nosso cuidado. Por isso, perguntemo-nos: O que posso fazer para que minha congregação fique mais unida? Podemos começar com algo tão cotidiano como nossas conversas antes e depois das reuniões. Se sempre conversamos com as mesmas pessoas, podemos nos esforçar para nos aproximar também de alguém com quem temos menos contato. Escutá-lo com interesse pode nos ajudar a conhecê-lo melhor e a fortalecer nossa amizade.
Também podemos fortalecer a união ao pregar com irmãos de diferentes idades ou circunstâncias. Em vez de prestar atenção apenas em como somos diferentes, podemos valorizar o que temos em comum: o desejo de servir a Jeová e seguir a orientação de Jesus. E, se surgir uma diferença de opinião sobre um assunto pessoal, podemos nos perguntar se ela realmente merece criar distância. Cuidar da união envolve não permitir que nossas preferências sejam mais importantes do que nossos irmãos.
Pensemos em uma ação concreta que podemos realizar nesta semana: aproximar-nos de um irmão, convidá-lo para pregar ou escutá-lo com mais atenção. Não precisamos esperar que outra pessoa dê o primeiro passo. Se Jeová fez tanto para unir seu povo, cada um de nós tem bons motivos para contribuir para que essa união seja evidente na congregação.
Os dois bastões transmitem uma lição simples e poderosa: Jeová pode unir seu povo e dar a ele o necessário para continuar unido. Ele fez isso com os israelitas, e vemos isso hoje entre os ungidos e as outras ovelhas. Valorizemos essa união e cuidemos dela por meio de nossas palavras, nossas decisões e nosso modo de tratar cada irmão.
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